segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Esplendor que a Mata Escondeu
Entre as sociedades que floresceram no continente americano, todas deslumbrantes e sofisticadas, a mais esplendorosa nunca foi alcançada pelos olhos ávidos dos conquistadores. Quando Cortez desembarcou na América Central, a riqueza da cultura maia repousava tranqüila, envolta pelas matas da Península do Yuca-tán, no México. Sete séculos antes do desembarque espanhol, sem que ninguém até hoje saiba com exati-dão por que, os maias abandonaram suas cidades, que só seriam redescobertas no século XIX.
Das grandes civilizações do Novo Mundo, apenas os maias desenvolveram um sistema de escrita fonética, capaz de compor palavras. Os astecas, com sua escri-ta pictórica, podiam no máximo descrever situações e personagens: o resto tinha que ser complementado pela narrativa do mensageiro. Os incas nunca domina-ram a escrita.
Na arte da escultura, eram inigualáveis. Suas está-tuas beiravam a perfeição. Às vezes, como na Grécia, prestando-se ao papel de colunas para prédios espeta-culares. Outras, reproduzindo divindades que lembram as obras de artistas indianos. Tudo para enfeitar cida-des lotadas de construções públicas. Quase sempre pirâmides, como as que os espanhóis encontraram em Tenochtitlán, ladeadas nas quatro faces por escadari-as. Ou então inovadoras, como o observatório cupular de Chichén Itzá, ainda hoje fonte de dúvida: seria uma construção ritual ou uma antecipação da arquitetura dos observatórios feita por um povo de mestres da astronomia? Essa resposta dificilmente alguém um dia terá.

Bibliografia
A conquista da América, Tzvetan Todorov, Editora Martins Fontes, São Paulo, 1991
Incas e astecas - Culturas pré-colombianas, Jorge Luís Ferreira, Editora Ática, São Paulo, 1988
História de vida privada, volume II, org. Philippe Aries e Georges Duby, Companhia das Letras, São Paulo, 1990

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